A reforma da fachada moderniza e valoriza em 20% o imóvel

Publicado em: 22/03/2010

Pintar, trocar pastilhas, mudar o revestimento. Dar uma cara nova para tudo que o tempo deixou com aspecto de velho. O processo chama-se retrofit e consiste em reformar fachadas de prédios para que eles fiquem mais bonitos e valorizados. Seja por questão de segurança seja para aumentar e muito o valor dos apartamentos.

Quando o engenheiro Paulo Maccaferri pegou o projeto de um prédio no Sumaré, Zona Oeste de São Paulo, encontrou uma situação bem ruim. “O edifício tinha infiltração interna devido à corrosão, chegava às janelas dos apartamentos, tinha queda de pastilhas.”  De acordo com ele, em vez de madeira, as janelas passaram a ser de alumínio. A fachada ganhou cor e revestimento novos. O projeto está em fase de finalização.

“A gente propôs uma modernização, trouxe conceitos novos. E nos prédios antigos, o retrofit aumenta a vida útil deles. Em um edifício de 40 anos, a valorização do imóvel pode ser de 15% a 20% só porque a fachada foi reformada”, afirmou o engenheiro.

Quem passa hoje pela Alameda Tietê, nos Jardins, área nobre de São Paulo, e vê um edifício de 20 andares com varandas enormes, não imagina que a construção tem 30 anos e as sacadas foram colocadas há quatro anos. O projeto foi feito pelo arquiteto Roberto Candusso, especialista em reformar fachadas.

“Eu sentia falta de uma varanda”, conta Candusso, ex-morador do Edifício Marambaia. Projeto no papel, o próximo passo foi convencer os condôminos de que as varandas dariam novo fôlego ao prédio, localizado em um bairro onde ainda há muitas construções antigas. “Tínhamos que ter 100% de aprovação (dos 20 donos dos imóveis). Isso inviabiliza muita obra”, comenta o arquiteto.

O plano foi executado e as varandas aumentaram em 40m² a área total dos apartamentos, que já era de 400m². Segundo Candusso, a obra foi feita entre 2003 e 2006. “O terraço deu uma vida nova ao prédio.” No Marambaia, a fachada também ganhou novo revestimento e foi feita uma fundação para suportar o peso das sacadas.

O arquiteto calculou que um apartamento que ali valia R$ 550 mil há uns 20 anos “agora sai quase R$ 3 milhões por causa da reforma”.

Para que qualquer obra no prédio seja feita, antes deve ser votada e aprovada em assembleia pelos moradores. O custo adicional implica aumento no valor mensal do condomínio. “O dono do imóvel tem que medir o custo da obra em função do retorno posteriormente. Não é sempre que se consegue um retorno como aquele”, conta Marcos Velletri, do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi), referindo-se ao Marambaia.

Ele lembra que as reformas podem incluir não só as fachadas, como também o pátio, áreas de lazer, escadas, elevadores e instalações elétricas ou hidráulicas. “Quando a intervenção é muito grande, precisa de aprovação da Prefeitura”, diz Velletri, diretor de Insumos e Tecnologia do Secovi.

Ele não quis apostar o percentual de valorização dos apartamentos depois das reformas feitas nos prédios. E admite que o retrofit pode ser uma tendência de mercado. “Tem um nicho que busca isso pretendendo comprar imóveis antigos e modernizá-los, ganhando com essa modernização.”

Em Perdizes, na Zona Oeste, o caso não foi só de estética, mas de segurança. Os dois prédios de um condomínio passaram por reforma porque estavam muito velhos. “Na época, os edifícios tinham 16 anos (hoje têm 21). As pastilhas da fachada estufaram e não tinha como repor porque eram velhas. Para consertar, tivemos que arrancar tudo”, conta o advogado Marcos Mario Couto, síndico do local.

De acordo com ele, a reforma foi bem ampla e não ficou só na maquiagem externa. “Quisemos um projeto para modernizar. Ampliamos a piscina, modernizamos o hall de entrada, a sala de ginástica e fizemos o espaço gourmet”, lembra Couto. Ele calculou em 40% o percentual de valorização dos apartamentos depois do retrofit. “Valeu muito a pena. Muita gente vendeu (seus imóveis). Mudou o perfil do prédio.”



Veja mais notícias